Ações - Setor Financeiro

O setor financeiro é um dos setores de maior relevância no mercado de capitais do Brasil. As empresas do setor financeiro, como bancos, possuem participações significativas no Ibovespa, principal índice que indica o desempenho das ações negociadas na B3, bolsa brasileira. Ver mais

Conheça o setor Financeiro

Escrito por:

Marjoel Moreira

O setor financeiro é um dos setores de maior relevância no mercado de capitais do Brasil. As empresas do setor financeiro, como bancos, possuem participações significativas no Ibovespa, principal índice que indica o desempenho das ações negociadas na B3, bolsa brasileira.

O setor financeiro, como um todo, é composto por bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos múltiplos, financeiras e também por empresas que intermediam pagamentos e investimentos. Vale destacar que a B3, que a bolsa do Brasil, também possui seu capital aberto e está incluída no setor financeiro, sob o ticker B3SA3.

Adicionalmente, no setor financeiro estão presentes tanto empresas privadas quanto empresas estatais. Companhias sob o controle do estado, destaca-se, por exemplo, o Banco do Brasil (ações BBAS3), assim como bancos sob controle de governos estaduais, que se limitam a uma atuação regional, como o Banrisul (ações BRSR6) e o Banestes (ações BEES3).

Características do setor financeiro

O setor financeiro é um dos principais setores do Ibovespa, assim como é um dos setores mais rentáveis e perenes de todo o mercado de capitais no Brasil. Destacando a sua perenidade, o setor financeiro atrai os investidores que buscam um setor lucrativo e que possam distribuir bons dividendos ao longo do tempo.

Entretanto, apesar do setor financeiro possuir empresas consolidadas e de grande porte, isso não significa que o setor está livre de empresas em crescimento e em expansão, que não necessariamente se enquadram como pagadores de dividendos.

As atuais fintechs (empresas que desenvolvem produtos totalmente digitais com foco em tecnologia) estão em um forte movimento de expansão tanto no Brasil quanto no mundo. Sendo assim, o investidor mais arrojado conta com a possibilidade de investir em empresas imersas no universo digital e, a partir disso, expor-se a companhias que possuem um maior potencial de crescimento.

Vale lembrar que, a partir disso, o setor financeiro como um todo está passando por constantes transformações em virtude da digitalização. Bancos de maior porte estão em um processo de realizar investimentos em digitalização e fechamento de agências, em prol de concorrer com os bancos digitais. Além disso, mudanças no universo de investimentos financeiros têm contribuído para a evolução do setor financeiro, por exemplo, ao alterar a dinâmica de investimentos para a bolsa de valores e para as corretoras e bancos de investimentos, ao invés de apenas concentrar os investimentos de pessoas físicas nos bancos de varejo sobre a caderneta de poupança.

Entretanto, na bolsa de valores os grandes bancos possuem dominância e alguns deles ocupam posições cruciais em índices referentes à bolsa de valores brasileira.

Apesar disso, é fundamental destacar que o setor financeiro atual compartilha o espaço entre bancos, corretoras e distribuidoras de valores mobiliários, intermediárias de pagamento, entre outros tipos de empresas.

Ao que se refere aos bancos, na bolsa estão presentes os maiores bancos do Brasil, assim como estão presentes bancos digitais que se encontram em grande ritmo de expansão. No setor bancário, existem tanto players privados quanto estatais, como mencionado anteriormente.

De forma complementar aos bancos, as corretoras de investimento protagonizaram um crescimento expressivo em virtude da queda de juros, que serve de referência para investimentos financeiros, ocorrida entre 2015 e 2021. Tanto a busca por rentabilidades maiores quanto a maior disponibilidade de conhecimento sobre finanças e investimentos na internet transformaram o setor financeiro, impulsionando pessoas físicas a explorarem diversos títulos de renda fixa e ao entrarem na bolsa de valores, em prol de fugir da baixa rentabilidade da caderneta de poupança.

Além disso, estão presentes também no setor financeiro, as companhias responsáveis por atuarem como intermediárias de transações financeiras. A própria bolsa de valores brasileira, B3 (ações B3SA3), trata-se de uma intermediária de transações, na compra e venda de ativos financeiros. Adicionalmente, pode-se mencionar também a Cielo (ações CIEL3), que atua, principalmente, com o processamento de transações de cartões de crédito, débito e voucher.

Portanto, pode-se notar a variedade de empresas presentes no setor financeiro. Há companhias com diversos propósitos, relacionados à intermediação financeira, seja de transações de cartões ou de investimentos financeiros.

Em geral, o investimento no setor financeiro pode ser atrativo tanto para o investidor que deseja um retorno maior por meio dos dividendos, quanto para o investidor que quer uma maior valorização de suas ações. Isso ocorre em virtude da variedade de companhias e estratégias inseridas neste setor.

Riscos presentes no setor financeiro

No setor financeiro, há uma grande variedade de riscos relacionados ao tipo de atividade realizada por cada companhia atuante neste setor.

Em bancos, por exemplo, está presente o “risco de calote”, conhecido formalmente como risco de inadimplência. Isso ocorre com base no fato que de bancos são nada mais que intermediários entre indivíduos que possuem recursos e indivíduos que desejam tomar empréstimos para variadas finalidades. Dessa forma, em momentos de crise econômica, caso haja aumentos no não pagamento adequado de dívidas, os resultados financeiros dos bancos em geral podem ser negativamente impactados.

Além disso, no setor financeiro como um todo, o risco da falta de liquidez é um risco que pode prejudicar, seriamente, a atividade de instituições financeiras em variados graus. Em bancos, a falta de liquidez implica em recursos limitados para empréstimo, o que gera, consequentemente, taxas de juros mais elevadas ao consumidor final. Ao passo que, em instituições financeiras, como corretoras e bancos de investimento, a falta de liquidez pode prejudicar aos clientes e à própria instituição em momentos em que haja dificuldade de liquidar ativos, iniciar empréstimos ou amortizar dívidas.

Além disso, a falta de liquidez é um risco preponderante para bancos comerciais em momentos de instabilidade econômica mais intensa. Afinal, nestes momentos clientes, geralmente, recorrem aos bancos para sacar seus recursos em espécie e isso, em casos extremos, pode levar bancos à falência caso os mesmos tenham uma situação em que há extrema carência de liquidez para atender às demandas dos clientes.

O risco de liquidez, entretanto, é ponderado e mitigado pelas instituições financeiras e pelas instituições reguladoras. Em geral, a redução deste risco é dada pelo Índice de Basiléia, que basicamente limita quanto dos recursos em posse de um banco podem ser emprestados, de forma em que os bancos tenham, em sua posse, recursos para prover liquidez, caso assim seja demandado pelos clientes.

O setor financeiro na bolsa de valores

No mercado de capitais brasileiro, o setor financeiro é um dos setores de maior relevância e, consequentemente, possui diversas empresas financeiras com seu capital aberto na bolsa de valores.

Podemos algumas de empresas do setor financeiro:

Cabe destacar que, além destas companhias, existem diversas outras nos mesmos grupos listados, tanto listadas em bolsa quanto de capital privado ou listado fora do Brasil. No Brasil, existem múltiplas corretoras e distribuidoras de valores mobiliários que possuem capital não listado em bolsa de valores. Além disso, existem casos, como o da XP Investimentos, nos quais a companhia possui seu capital aberto fora do Brasil, no caso da XP a oferta pública de ações foi realizada na bolsa Nasdaq nos Estados Unidos.

Apesar de o setor financeiro ser um dos mais lucrativos no Brasil, ele atualmente está passando por diversas mudanças, com isso, o setor financeiro possui, certamente, potencial para expansão dentro da bolsa de valores brasileira, dado que existem diversas companhias do setor financeiro em crescimento, que ainda não entraram no na bolsa de valores.