Ações - Setor Transportes

O setor de transportes é um setor essencial para o funcionamento da economia, em um universo de relações econômicas globalizadas e trocas econômicas internacionais, o setor de transporte, tanto de pessoas quanto de cargas, se faz presente em tudo no nosso dia a dia. Ver mais

Conheça o setor Transportes

Escrito por:

Marcilio Lima

Existem várias formas de caracterizar as atividades no setor de transportes ou no setor de logística. Os serviços oferecidos podem ser divididos entre transporte de pessoas ou transporte de mercadorias. Além disso, os serviços de transporte de passageiros ou de logística de cargas podem ser, mais uma vez, segmentados pelo modo de transporte utilizado, nesse sentido destacamos o seguinte:

  • Transporte aéreo;
  • Transporte rodoviário;
  • Transporte marítimo;
  • Transporte ferroviário.

Em relação a cada uma das modalidades, as empresas inseridas no setor operam estratégias diferentes. Afinal, cada modo de transporte, tanto de passageiros quanto de cargas, tem particularidades que podem ser exploradas pelas respectivas companhias inseridas no setor de transportes.

Vale destacar que o setor de transportes está passando por diversas transformações, tanto nos serviços prestados quanto pela forma na qual são prestados. A estrutura de capital dessas empresas, especialmente as envolvidas com a logística de cargas, está em um momento de evolução, a partir disso, as companhias estão se tornando mais eficientes.

Podemos citar, por exemplo, a estratégia asset-light adotada por diversas empresas, que se resume à utilização de veículos e ativos, em geral, de terceiros. Portanto, uma empresa que trabalha com transporte de cargas, por exemplo, não precisa necessariamente comprar caminhões, a companhia pode utilizar caminhões e serviços de frete de terceiros, para ter uma estrutura de capital com menores custos fixos.

Vantagens do setor de transportes

Inicialmente, o setor de transportes, como um todo, se trata de um setor essencial para o funcionamento da economia como é conhecido no atual momento. Em um universo de relações econômicas globalizadas e trocas econômicas internacionais, o setor de transporte, tanto de pessoas quanto de cargas, se faz presente e intensamente necessário.

Afinal, diversos componentes de objetos utilizados no cotidiano são fabricados em uma variedade de localizações e, como consequência, necessitam de serem transportados às indústrias e, em seguida, aos consumidores. Assim sendo, o ramo logístico possui uma crescente demanda.

Em sequência, o transporte de pessoas, até o momento, faz-se essencial em viagens de negócios e também é alimentado pelo turismo, especialmente em momentos de aquecimento na economia como um todo e, principalmente, em momentos de maior acesso ao crédito (principal forma de pagamento por viagens). Consequentemente, conclui-se que tanto na frente logística quanto no transporte de pessoas, o setor de transporte é essencial para o funcionamento da economia atual e, com base nisso, determinadas empresas tendem a manter um nível de demanda aquecido por seus serviços, o que impacta seus resultados financeiros positivamente.

É interessante observar o potencial, extremamente benéfico, entre empresas de logísticas e o comércio eletrônico (e-commerce). Apesar de existir uma variedade de transportadoras, não presentes no ambiente da bolsa de valores, o ramo logístico do setor de transportes pode, potencialmente, se beneficiar com a intensificação de compras virtuais e da adaptação de suas estratégias ao transporte desse tipo de carga, desde que ocorra alinhamento com os objetivos e nível de infraestrutura da empresa.

Por fim, cabe destacar como vantagem uma adaptação mais recente que determinadas companhias do setor de transportes adotam em suas estratégias, especialmente aquelas envolvidas com logística de cargas. Essa vantagem é a estrutura de capital asset-light, que se resume ao uso de serviços e ativos de terceiros, em prol de evitar elevados custos fixos para a companhia em questão, advindos de determinados ativos como, por exemplo, veículos de grande porte. Entretanto, vale destacar que são poucas as empresas que, no ambiente da B3, adotam esse tipo de atuação na condução de seus negócios.

Além disso, em decorrência de determinadas empresas possuírem altos investimentos em veículos para transportes, pode-se destacar tal fato como uma barreira de entrada no setor. Afinal o investimento em obter veículos de grande porte é, relativamente, elevado. Assim sendo, as empresas já consolidadas no setor tendem a se beneficiar com a dificuldade para o ingresso de novos competidores no setor.

Riscos do setor de transportes

Inicialmente, no setor de transportes existe o risco que envolve as estruturas de capital das empresas envolvidas. A atuação no setor de transporte envolve investimentos em veículos, geralmente de grande porte (ônibus, caminhões, aviões, locomotivas, navios), o que acarreta altos custos para as empresas do setor de transporte, tanto na aquisição dos ativos quanto em sua manutenção. Apesar dos altos investimentos necessários para entrar no setor sejam uma barreira para novos concorrentes, os mesmos custos podem afetar negativamente os resultados das empresas se estiverem em desequilíbrio.

Os custos de adquirir os ativos e mantê-los envolvem outro tipo de risco: a forma de financiamento das empresas. É comum que empresas de diversos setores, inclusive do setor de transportes, financiem a aquisição de ativos e a manutenção de suas atividades por meio de recursos captados junto aos bancos ou a investidores, através de títulos de renda fixa ou de emissão de ações. Ao focar no endividamento para financiar a expansão e o funcionamento dessas empresas, as mesmas enfrentam um risco relacionado ao custo dessa dívida. Portanto, devido a diferentes circunstâncias, há momentos em que o mercado exige altas taxas de juros para emprestar recursos, assim como certas dívidas podem ficar mais caras em virtude ao indexador (CDI, IPCA, IGP-M, etc…) que as referenciam. Vale também lembrar que a aquisição de veículos de grande porte tende a gerar um maior nível de endividamento às empresas do setor, o que pressiona negativamente suas margens de lucro.

Pode-se mencionar dois riscos que são, totalmente, correlacionados e que afetam as empresas de transportes: o risco cambial e o custo dos combustíveis. As empresas de transporte são impactadas negativamente por aumentos na taxa de câmbio, pois combustíveis são dolarizados, ou seja, quando o preço do dólar aumenta o preço dos combustíveis como consequência aumenta. Por isso, o aumento no câmbio pode afetar, diretamente, o custo das companhias de transportes e impactar seus resultados de forma negativa.

Empresas de transporte na bolsa de valores

Quando o foco é no mercado de ações, há uma grande variedade atuando no mercado de transportes. Como exemplo, é possível mencionar as que seguem:

  • Tegma (ações TGMA3): Atuante no setor de transportes por meio da logística de veículos prontos, principalmente. Atende à diversas montadoras no território nacional;
  • Azul (ações AZUL4): Linha aérea atuante tanto com voos nacionais quanto com vôos internacionais, possui foco no transporte de passageiros;
  • Gol (ações GOLL4): Companhia aérea que, similarmente à Azul, atua com voos nacionais e internacionais, além de possuir um braço da empresa atuante com o transporte de cargas;
  • Cosan Logística (ações RLOG3): Empresa que investe em ativos logísticos, sua principal participação se trata da participação acionária na Rumo (ações RAIL3);
  • Rumo (ações RAIL3): Possui foco no transporte ferroviário, tem como acionista majoritário a Cosan Logística (RLOG3);
  • Santos Brasil (ações STBP3): A companhia atua com transporte marítimo e com operações com contêineres. Adicionalmente, a empresa realiza o gerenciamento de terminais logísticos;
  • Log-in (ações LOGN3): Empresa atuante com o transporte marítimo, por meio de navegação costeira. Além disso, realiza o gerenciamento de terminais logísticos.
  • JSL (ações JSLG3): Protagonista em transporte de cargas no Brasil. A companhia é um exemplo da estrutura asset-light, anteriormente citada, ao realizar a utilização de ativos e serviços de terceiros em seus processos logísticos.