Ações - Setor Alimentos

O setor de alimentos é um setor importante para a economia e para a população em geral, possui empresas atuantes tanto na produção de alimentos essenciais, de maior demanda, quanto de alimentos e bebidas não essenciais à uma nutrição adequada, como cervejas, por exemplo. Ver mais

Conheça o setor Alimentos

Escrito por:

Marcilio Lima

Existe uma grande variedade de empresas do setor de alimentos listadas na bolsa de valores brasileira, B3. Essas companhias atuam tanto na produção de alimentos essenciais, de maior demanda, quanto de alimentos e bebidas não essenciais à uma nutrição adequada, como cervejas, por exemplo.

Além disso, várias empresas do setor de alimentos acabam se favorecendo de situações de taxa de câmbio elevada, uma vez que são exportadas grandes quantidades de sua produção. As empresas que produzem carnes e grãos se destacam em termos de exportação.

Da ampla diversificação no desempenho dos negócios relacionados à alimentação, alguns são caracterizados como consumo não cíclico, com uma demanda mais constante e previsível, enquanto outras são classificadas como empresas de consumo cíclico, com demanda por seus produtos determinada tanto pela situação brasileira quanto pela conjuntura internacional.

Participantes do setor de alimentos

Na bolsa de valores brasileira, existem empresas listadas desde o início até o final da cadeia produtiva de alimentos.

A partir daí, vale destacar que existem empresas que atuam no setor alimentício desde o início da cadeia produtiva, com a produção de determinados alimentos em terras cultiváveis. Ao mesmo tempo, existem empresas que atuam no processamento e, posteriormente, no comércio dos alimentos produzidos ao consumidor final.

Esse fato é crucial para destacar a amplitude do setor de alimentos, assim como a sua conexão com o mercado de capitais. Assim como existem ações de companhias inseridas neste setor, empresas participantes deste setor também recorrem ao mercado financeiro como forma de financiar suas atividades através de títulos de renda fixa, como CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio).

Vantagens do setor de alimentos

Inicialmente, certos alimentos são considerados produtos essenciais, de consumo não cíclico, ou seja, com poucas variações bruscas em sua demanda. Por isso, a exposição em empresas que produzem esse tipo de alimentos torna-se interessante para investidores que buscam por perenidade em seus investimentos, por meio de empresas que vendem produtos essenciais ao consumo diário e possuem lucros constantes, sem maiores surpresas ao longo dos anos.

Além disso, as empresas do setor de alimentos podem fornecer aos investidores, bons retornos (valorização ou dividendos), principalmente em situação de alta taxa de câmbio. Isso porque, devido muitas destas empresas exportarem uma parte significativa de sua produção, e ao fato de o dólar em níveis elevados de preço criar um incentivo à exportação. Deve-se notar que, devido ao aumento na exportação, os alimentos tendem a encarecer no Brasil, uma vez que grande parte da oferta das empresas está sendo direcionada ao exterior. Em cenários onde a taxa de câmbio for alta, empresas de alimentos podem, potencialmente, se beneficiar de aumentos em seus lucros e, consequentemente, oferecer melhores retornos aos seus acionistas.

Além disso, vale lembrar que certos produtos, considerados como alimentos, mesmo que não sejam essenciais para uma nutrição adequada, são altamente consumidos, mediante à cultura de cada local. Cervejas e bebidas alcoólicas, em geral, são consideradas alimentos, tecnicamente. Como se sabe, no Brasil, assim como em outros países do mundo, o consumo de bebidas alcoólicas é extremamente comum em momentos de união e confraternização. Isso faz com que empresas produtoras de bebidas alcoólicas, consideradas como empresas do setor de alimentos em bolsa de valores, sejam muito rentáveis. Por isso, empresas relacionadas à produção de bebidas alcoólicas e outros alimentos não necessários à nutrição básica também podem ser caracterizadas como um investimento perene, em função desses alimentos serem, normalmente, parte de uniões e comemorações entre amigos.

O mesmo se aplica para a produção de bebidas não alcoólicas. No mercado financeiro dos EUA, por exemplo, a Coca-Cola (ações KO) é considerada uma empresa de sucesso no mercado norte-americano e mundial de bebidas.

Riscos do setor de alimentos

Devido algumas empresas do setor de alimentos serem caracterizadas como de consumo cíclico, essas empresas possuem variações na produção de seus produtos, devido a situação econômica nacional, e internacional, além da sazonalidade envolvida na produção de determinados alimentos. Em geral, empresas de consumo cíclico são empresas que tanto exportam alimentos quanto ofertam seus produtos nacionalmente. Portanto, quando você investe em empresas que possuem consumo cíclico, é fundamental observar o momento do ciclo de longo prazo no qual se encontra a conjuntura nacional e mundial, para não fazer investimentos opostos ao ciclo e ocorrer prejuízos.

Existem vários casos em que as empresas do setor alimentício tem um alto grau de alavancagem, ou seja, um endividamento alto em relação a seu patrimônio líquido ou aos seus lucros. Devido ao alto endividamento das empresas, em vários períodos de intensa instabilidade econômica, em que há uma queda na demanda, a empresa pode ser afetada negativamente por períodos de queda de receita e a necessidade de honrar com suas obrigações financeiras de curto prazo e de longo prazo.

Além do risco ligado ao endividamento, existe um nível de risco financeiro em algumas empresas do setor. Embora existam vantagens devido a mudanças na taxa de câmbio, algumas empresas operam com a proteção da taxa de câmbio de seus negócios por meio de derivativos. O mercado de derivativos, em si, não é o assunto do texto, porém é importante ressaltar que falhas na operação de derivativos podem ser, financeiramente, prejudiciais aos resultados gerados pela companhia em questão.

Por fim, é interessante destacar os riscos a que certas empresas do setor de alimentos estão expostas devido ao aumento dos investimentos ESG (Ambiental, Social e Governança). Por meio de práticas de maior conscientização em relação sobre o meio ambiente e o meio social, diversos fundos de investimentos e investidores institucionais que adotam as práticas ESG descartam, como possibilidade de inclusão em seus portfólios, empresas que atuam, por exemplo, com o abate de animais para o consumo de sua carne. Consequentemente essas empresas estão expostas ao risco de receberem menor atenção dos grandes investidores,no crescimento das tendências ESG, caso não atualizem suas práticas e as alinhem com práticas de maior consciência ambiental.

O setor de alimentos na bolsa de valores

Existem empresas de diversos subsetores relacionados ao setor de alimentos, desde o início da cadeia produtiva até a comercialização dos produtos ao consumidor final. Como exemplo, podemos citar:

  • Companhias produtoras de grãos;
  • Empresas produtoras de açúcar e seus derivados (etanol);
  • Frigoríficos: atuantes com o processamento e a venda de carne, couro e, inclusive, gado vivo;
  • Produtoras de bebidas alcoólicas e não alcoólicas;
  • Produtores de massas, biscoitos, entre outros;
  • Entre outros possíveis nichos.

Além disso, empresas deste setor recorrem ao mercado financeiro não só com o objetivo de listar suas ações no ambiente de bolsa de valores. Diversas companhias, inclusive companhias não listadas em bolsa de valores, se conectam com o mercado de capitais por meio da emissão de títulos de renda fixa, para financiar suas atividades, tanto de curto quanto de longo prazo.

A menção de títulos de renda fixa, não é o foco da abordagem deste artigo. Entretanto, podemos mencionar exemplos de empresas protagonistas no setor alimentício, com capital aberto na bolsa de valores brasileira (B3). Como os principais exemplos temos:

  • Camil (CAML3): Atua, principalmente, na produção de grãos e açúcar, com destaque para as marcar União, Camil, Carreteiro, entre outras;
  • Ambev (ABEV3): Protagonista no mercado de cervejas e, atualmente, expande-se para bebidas não alcoólicas;
  • São Martinho (ações SMTO3): Atua na produção de açúcar e etanol, assim como na colheita e gerenciamento de terras para a produção da matéria-prima de ambos os produtos;
  • M. Dias Branco (ações MDIA3): Atuante na produção de massas e biscoitos;
  • BR Foods (ações BRFS3): Detentora das marcas Sadia, Perdigão, entre outras;
  • JBS (ações JBSS3): Atuante no setor de carnes, com o processamento de bovinos, suínos, aves, etc;
  • Minerva (ações BEEF3): Companhia que atua, principalmente, com o processamento e venda de carne bovina;
  • Carrefour (ações CRFB3): Atua no comércio de produtos alimentícios, entre a diversidade de produtos oferecidos em seus mercados, e possui sua própria marca de alimentos pela qual oferece certos produtos.