Ações do setor Seguros

As empresas do setor de seguros são empresas que assumem o risco de seus clientes e, para isso, cobram um valor pleo seguro. Ver mais

Conheça o setor Seguros

Escrito por:

Marjoel Moreira

Existem diversas empresas envolvidas no setor de seguros onde o investidor pode se expor, tanto às seguradoras quanto às resseguradoras estão presentes na bolsa de valores.

As seguradoras são empresas que assumem o risco de seus clientes e, para isso, cobram um valor, chamado de prêmio do seguro. Existem diversos tipos de seguros, como exemplos de seguros temos os seguintes:

  • Seguro de automóveis;
  • Seguro saúde;
  • Seguro odontológico;
  • Seguro de vida;
  • Seguro patrimonial;
  • Seguro habitacional;
  • Entre outros.

As seguradoras têm diversas estratégias, enquanto algumas focam em seguros específicos, outras tem uma linha de receitas diversificada.

Vale destacar que as seguradoras não necessariamente atuam somente com seguros propriamente ditos. No caso de certas seguradoras, uma atividade comum, e permitida no mercado de seguros brasileiro, é a gestão de recursos previdenciários, principalmente, com a gestão de fundos PGBL e VGBL.

Como funciona o setor de seguros?

Inicialmente, as seguradoras, independentemente do tipo de seguros que oferecem, cobram de seus clientes um valor de acordo com o nível de risco que está sendo assumido pela empresa. A soma dos prêmios de seguros recebidos é chamada de Float no mercado de seguros.

A partir do Float gerado, pelo recebimento de prêmios, as seguradoras realizam aplicações financeiras com estes recursos, geralmente conservadores (em renda fixa). Somente em caso de sinistro, situação em que o cliente necessita de certa quantia para cobrir uma emergência, a seguradora tem uma saída de recursos do capital dela.

Em geral, esses fatos mostram uma clara vantagem competitiva no setor de seguros: os clientes pagam antecipadamente e apenas uma minoria dos clientes utiliza o valor pago. Dessa forma, as seguradoras obtém dois diferentes tipos de resultados:

  • Resultado operacional: É gerado por prêmios, pagos pelos clientes, que não foram utilizados para cobrir sinistros e, portanto, fazem parte do patrimônio da seguradora;
  • Resultado financeiro: É a rentabilidade gerada pelo investimento dos prêmios recebidos. Geralmente, tais investimentos resumem-se a aplicações em produtos de renda fixa.

Além disso, as seguradoras são sensíveis às variações na taxa básica de juros. Afinal, uma vez que investem os fundos que recebem em aplicações de renda fixa, quanto menor o patamar da taxa de juros menor será o resultado financeiro (vindo das aplicações financeiras) das seguradoras. Por tanto, é notável que essas empresas cobram taxas de juros mais altas, pois remuneram melhor os recursos captados com a venda de seguros.

Com base nas vantagens que as seguradoras recebem do adiantamento e no fato de desembolsar relativamente pouco para cobertura de emergência, o setor de seguros se torna um setor perene e resiliente. Porque, com seu modelo de negócios, as seguradoras têm mais entrada de recursos do que de saída de recursos, em situações regulares.

Outro fator que contribui para a perenidade do setor é sua resiliência em tempos de crise econômica. Mesmo diante a uma crise, os clientes tendem a não cancelar suas apólices de seguro devido ao receio de sofrer uma emergência que necessite de recursos financeiros para ser resolvida.

Em geral, o setor de seguros é um setor atrativo aos investidores conservadores no mercado de ações, assim como atrai aos que desejam lucrar com dividendos.

O setor de seguros tem um forte crescimento no Brasil, uma vez que a parcela da população que contrata algum tipo de apólice de seguro não atinge sequer 30% de toda a população brasileira.

Assim como diversos outros setores da economia, o setor de seguros está sendo modernizado, principalmente em virtude do surgimento das Insurtechs (seguradoras digitais com modelos de negócios diferenciados).

Sendo assim, as atuais seguradoras necessitam de se adaptar à era digital, para que se perpetuem no futuro.

Seguradoras na bolsa de valores

Controlada pelo Banco do Brasil (BBAS3), o Banco do Brasil Seguridade (ações BBSE3) atua como uma holding que detém participações acionárias em empresas que atuam com seguridade e gestão previdenciária. Em geral, o resultado da BBSE3 é, principalmente, gerado pelas apólices de seguro das quais a empresa cobra prêmios. Entretanto, o Banco do Brasil Seguridade (ticker BBSE3) atua também com gestão previdenciária, com títulos de capitalização e com planos odontológicos. Vale destacar que, devido ser controlada pelo Banco do Brasil, a BBSE3 possui toda a base de agências do Banco do Brasil como um canal para o oferecimento de seus serviços de seguridade e gestão de previdência.

Começando a abordar seguradoras privadas, a Porto Seguro (ações PSSA3) é a maior seguradora brasileira em termos de patrimônio líquido. A PSSA3 possui uma ênfase maior em seguros de automóveis, estes são responsáveis por mais de 70% dos prêmios recebidos pela companhia. Entretanto, a Porto Seguro, atua com seguros de vida e seguros de patrimônio como suas classes predominantes de seguros após o seguro automobilístico. Assim como a BBSE3, a Porto Seguro também tem como acionista um banco, neste caso o Itaú Unibanco (ações ITUB3 e ITUB4). Em virtude deste fato, a seguradora também se utiliza da base de agências do Itaú como forma de ofertar apólices de seguros.

Em sequência, a SulAmérica (ações SULA3, SULA4 e SULA11) atua com seguros de Saúde e Odontológicos, gestão de previdências, seguros de vida, entre outros. A companhia possui a maior parte de sua receita operacional advinda dos seguros de saúde e de planos odontológicos.

Como exemplo de uma resseguradora, no mercado brasileiro podemos mencionar a IRB Brasil (ações IRBR3). Uma resseguradora atua, basicamente, realizado "o seguro do seguro", ou seja, são seguradoras de seguradoras. Dessa maneira, seguradoras que desejam diluir seus riscos podem contratar uma resseguradora, que irá ser responsável por cobrir parte de suas apólices, caso a seguradora julgue que está exposta a um nível de risco elevado. Em geral, a IRBR3 atua com o investimento dos recursos captados em ativos financeiros pós-fixados, dolarizados e atrelados à inflação, como forma de proteção patrimonial e, consequentemente, para poder cobrir eventuais sinistros. A IRBR3 possui o Bradesco Seguros S.A e a Itaú Seguros S.A como seus acionistas majoritários, seguidos pela BlackRock, uma gestora de recursos.

Nota-se que tanto as empresas mencionadas como as outras empresas existentes no setor de seguros têm diferentes estratégias de operação neste mercado. Suas estratégias variam entre os serviços oferecidos, assim como entre seus canais de distribuição e estratégias de investimento financeiro.

Riscos de investimento no setor de seguros

Apesar de sua perenidade, o setor de seguros envolve certos riscos que é importante o investidor saber antes da realização de aportes.

Em situações normais, o desembolso de fundos dificilmente corresponde a uma alta porcentagem dos prêmios recebidos. Entretanto, no caso de sinistros elevados, a seguradora incorre no custo de desembolso de recursos e seus resultados, poderão sofrer um choque negativo.

Além disso, parte significativa dos resultados de diversas seguradoras vêm de investimentos no mercado de capitais. Como esses investimentos são, predominantemente, aplicações em renda fixa, em períodos em que a taxa básica de juros está em um patamar reduzido, o resultado financeiro das seguradoras, consequentemente, tende a diminuir. Logo, nota-se que as seguradoras, apesar de não concentrarem 100% de seus investimentos em renda fixa pós-fixada, possuirão uma sensibilidade significativa ao patamar da taxa de juros.

Por fim, como um risco esperado apenas para cenários extremos, tem-se o risco de crédito em investimentos de renda fixa feitos pelas seguradoras, no qual o devedor é insolvente (não possui capacidade de honrar com o pagamento da dívida que possui com as seguradoras, representada pelo investimento). Entretanto, esse risco é considerado como possível apenas em cenários de crise econômica severa, pois os investimentos de renda fixa de seguradores são, geralmente, bastante conservadores.