Ações do setor Educacional

O setor de educação no Brasil é um mercado altamente competitivo, mas com grande potencial de crescimento, afinal, a educação é uma atividade essencial para a população. Ver mais

Conheça o setor Educacional

Escrito por:

Marjoel Moreira

O setor de educação no Brasil é um mercado altamente competitivo, mas com grande potencial de crescimento, o que afeta positivamente as empresas deste setor presentes na bolsa de valores, a B3.

Quando se fala do setor de educação, devemos primeiro ressaltar que neste caso estamos referindo a companhias privadas atuantes neste setor. Embora no setor de educação existam escolas e universidades públicas, o foco será nas redes privadas, afinal são estas que estão presentes na bolsa de valores.

O setor de educação tem um grande potencial de crescimento. Afinal, a educação é essencial tanto para o desenvolvimento das crianças quanto para a formação de profissionais capacitados em diversas áreas. A partir daí surge um grande potencial de mercado a ser explorado. Além disso, o setor de educação tem um certo nível de resiliência em caso de crise, porque os gastos com educação, geralmente, não são os primeiros a serem eliminados durante uma crise.

O setor de educação como um todo, está cada vez mais digitalizando suas atividades, assim como todos os setores da economia. Práticas como o EAD (Ensino à Distância) estão gradualmente ganhando notoriedade e se adaptando para serem mais eficazes em termos de aprendizado dos alunos. Apesar disso, a maioria dos cursos presenciais também está se adaptando ao digital, por exemplo, a realização de tarefas e processos de inscrição online.

O setor de educação é relativamente recente no ambiente de bolsa de valores. Na B3, o setor de educação contou com seus primeiros IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) na década de 2000. As empresas que abriram seu capital nos anos 2000, em sua maioria, tinham décadas de existência e experiência no setor.

As empresas atuantes neste setor, são:

  • Redes de escolas;
  • Redes de universidades;
  • Redes mistas entre escolas e universidades;
  • Produtoras de material (geralmente as mesmas empresas que detém participação em escolas ou faculdades);
  • Entre outras.

Vantagens do setor de educação

Como o mercado de trabalho exige, cada vez mais conhecimento e experiência dos candidatos, não resta dúvida sobre a importância da educação para se tornar um profissional com mais possibilidades de emprego e melhores salários. A partir disso, o setor de educação tende a receber mais demanda por seus serviços ao longo dos anos.

Além disso, o mercado que este setor opera movimenta bilhões de reais (R$) todos os anos e tem uma grande base de alunos e potenciais alunos, espalhados por todo território nacional. Assim, as empresas que melhor se adaptarem às inovações terão facilidade para atrair cada vez mais alunos.

É fundamental destacar que a adaptabilidade das empresas do setor educacional às novas realidades depende da implementação parcial ou total de determinadas atividades. Escolas e universidades foram protagonistas deste movimento durante o ano de 2010, com a implementação de sites e apps, onde os alunos realizavam tarefas, correção de tarefas com vídeos explicativos, provas, entre outras atividades. Apesar do ganho de notoriedade que o EAD (Ensino à Distância) obteve em 2020, devido a pandemia da Covid, cursos predominantemente presenciais também adaptaram parte de suas atividades parcialmente ao ambiente digital, mesmo antes do ocorrido.

Em geral, a digitalização é uma vantagem ao tornar certos processos mais ágeis tanto para o aluno quanto para a instituição. Consequentemente, a adaptação de empresas educacionais ao ambiente digital irá diferenciá-las nos próximos anos, tanto pela capacidade de captar alunos, mediante a um ambiente de maior praticidade, quanto pela agilidade em realizar atividades ou processos internos.

Riscos no setor de educação

Assim como o digital pode representar claramente uma vantagem, a mesma pode oferecer um risco significativo para as empresas educacionais, devido à imensa quantidade de conteúdo disponível na internet em relação às diversas áreas de conhecimento. Estudantes que desejam aprender sobre uma área que não seja dependente de um ambiente universitário podem recorrer à internet para apoiar sua aprendizagem. Apesar de essa maneira de aprender não garantir um diploma universitário, ela tem se mostrado eficiente em termos de aprendizado e em termos financeiros, o que pode gerar um potencial êxodo de determinados cursos universitários, caso estes não se adaptem a um nível maior de dinamismo e praticidade.

Um risco muito alto para as redes educacionais é a dependência de programas de financiamento do governo para obterem receitas e, consequentemente, lucros. Este risco se concretizou alguns anos atrás durante a crise do FIES (programa estatal de financiamento de cursos privados). Devido ao colapso do programa, algumas universidades tiveram uma queda significativa em seus lucros, devido a forte dependência de programas como o FIES para matricular os alunos. É importante entender este episódio passado, pois podem surgir novos programas do governo e, apesar disso, tendem a não ter uma duração de longo prazo, devido à atual situação das finanças públicas. Portanto, as empresas que dependem de programas governamentais para obter lucro, correm alto risco de colapso do programa se não forem financeiramente viáveis.

Ainda com ênfase no lado gerencial das redes educacionais, um fator de risco financeiro reside na possibilidade de inadimplência (não pagamento de mensalidades ou parcelas de financiamento). Principalmente em um cenário no qual, após o colapso do FIES, diversas redes de educação passaram a fornecer financiamentos por conta própria, caso não haja o devido pagamento de mensalidades ou parcelas, as empresas de educação tendem a ser diretamente afetadas por essa inadimplência. Consequentemente, tem um impacto negativo sobre as finanças das instituições educacionais.

Alem disso, surgiu um risco legislativo em relação ao setor educacional. Em geral, esse risco se resume às limitações impostas as empresas do setor de educação através do meio legislativo ou jurídico. Esse risco pode se concretizar, potencialmente, através de limitações em reajustes de mensalidades ou de políticas de teto de preços para determinados cursos, por exemplo.

O setor de educação na bolsa de valores

Embora seja um setor essencial para a sociedade, como um todo, o setor de educação possui vários casos em termos de retorno ao acionista. Portanto, existem tanto empresas lucrativas, quanto empresas que enfrentam problemas para se readaptar às possíveis práticas que sejam eficientes tanto no aprendizado quanto nos negócios. Afinal, como qualquer negócio, as empresas de educação precisam possuir uma parte gerencial sólida, para poderem exercer, com excelência, suas atividades e, com base nisso, se desenvolver para alcançar novos alunos.

Atualmente, na B3, podemos destacar as seguintes empresas protagonistas no setor de educação:

  • Cogna (ações COGN3): Se trata de uma das maiores holdings do setor de educação em todo o mundo. É detentora de participações tanto em redes universitárias quanto em negócios voltados para escolas (principalmente pela produção de material);
  • Yduqs (ações YDUQ3): Possui foco em ensino superior;
  • Cruzeiro do Sul (CSED3): Possui uma ampla diversificação em serviços educacionais oferecidos, partindo da educação infantil e com extensão até o ensino superior e seus complementos;
  • Anima (ações ANIM3): Detentora de centros universitários e faculdades;
  • Bahema (ações BAHI3): Possui ênfase em escolas em diversas regiões do Brasil.