Ações preferenciais (PN), ordinárias (ON) e Units: o que são, principais características, diferenças e benefícios

Ações preferenciais (PN), ordinárias (ON) e Units: o que são, principais características, diferenças e benefícios

ON, PN são tipos de ações encontradas no mercado financeiro. A principal diferença entre elas é que as ações ordinárias (ON) dão direito a voto nas assembleias da empresa e as ações preferenciais (PN) possuem preferência na distribuição dos resultados. As Units são formadas pelos dois tipos.

Um dos temas mais controversos quando se trata de investimentos são os tipos de ações. Você provavelmente já se perguntou alguma das seguintes questões:

Por que existem diferentes tipos de ações? Qual comprar?

Para auxiliar você nessa importante tomada decisão, montamos este artigo com tudo o que você precisa saber sobre sob viés da análise fundamentalista.

Você sabe o que grande parte dos investidores fundamentalistas que visam o longo prazo têm em comum? A maioria deles opta por ações ordinárias.

Neste conteúdo você vai ver aprender tudo o que precisa saber sobre os tipos de ações. O artigo abordará:

  • Diferenças entre ações ordinárias e preferenciais
  • O que são Units
  • Desmistificando as vantagens das PN
  • Por que os investidores de longo prazo preferem ações ordinárias?

DIFERENÇAS ENTRE AÇÕES ORDINÁRIAS E PREFERENCIAIS

A diferença entre ações ordinária e preferenciais

As ações ordinárias são conhecidas por darem direito a voto nas assembleias. Por isso, dependendo da quantidade de ações que determinado acionista minoritário tem, ele pode influenciar no rumo dos negócios da companhia.

Ações ON terminam em 3, por exemplo: WEGE3, ITUB3, ODPV3, etc. Além disso, as ações ordinárias (ON) tem uma característica fundamental para os investidores de longo prazo, que é a garantia de, no mínimo, 80% de Tag along.

Para entender mais a fundo a relevância dessa característica, leia o artigo: Entenda o que é Tag Along e descubra porque ele é relevante em uma Análise Fundamentalista

Enquanto as ações preferenciais, como o próprio nome sugere, confere preferência no recebimento de resultados aos acionistas. São as ações terminadas normalmente em 4, por exemplo: OIBR4, ITSA4, etc. Também há ações preferenciais com finais 5, 6, 7 e 8. São tipos de preferenciais diferentes, não existe um padrão determinado, então cada ação com esses finais terão características específicas estabelecidas por suas empresas.

Essa preferência diz respeito à distribuição de lucros, como dividendos, juros sobre capital próprio e até mesmo compensações, em caso de falência da empresa, por exemplo.

É isso mesmo, no caso de falência da empresa, os detentores de ações preferenciais podem receber reembolso devido a sua preferência e não sobrar nada para os sócios que possuem ON.

Esse tipo de ação pode ser escolhida pelos investidores que acreditam que o recebimento dos resultados é mais importante do que o controle da companhia.

Quer dizer então que as ações preferenciais têm várias vantagens, certo?

Pois é, não é bem assim. Adiante, neste artigo, explicaremos em detalhes como estas preferências das PN, na prática, não tem muito valor para o pequeno investidor que quer ser sócio.

Importante: Não confunda a preferência atribuída às ações PN com vantagem efetiva.

O que você pode estar se perguntando é: por que existem diferentes tipos de ações?

As ações preferenciais existem no mercado acionário ao redor do mundo há séculos, em diferentes países. As PN foram criadas a partir, principalmente, da necessidade dos empresários em manter o controle da companhia.

Considere a empresa hipotética chamada “Espertinha S.A”. Essa empresa quer captar o máximo de recursos possíveis, mas não está interessada em perder o controle da operação.

Empresa que prefere preferencial

Por isso, sua estratégia é ficar com a maioria das ações ON e oferecer ao mercado o máximo de ações PN que a legislação permite (em outra palavras, o mínimo que puder de ON).

Para fins didáticos, consideremos que ela vai emitir 200 ações (100 ON e 100 PN).

Na prática, ela pode oferecer ao mercado 100 PN + 49 ON e ainda manter o controle da empresa, ficando com 51 ON. Para ditar o rumo da companhia, é somente necessário a maioria de ações ON.

Vamos calcular: Se ela ficou com 51 de um total de 200 ações ela detém cerca de 25% do total e ainda assim dita o rumo do negócio devido aos diferentes tipos de ações e suas características.

Isso é bom para a empresa, mas não para você minoritário. Quanto maior a concentração do capital na mão dos controladores, pior é para os pequenos investidores.

Falamos mais sobre isso no seguinte artigo: O que é Free Float e qual sua importância para os investidores fundamentalistas ao escolher uma ação.

A questão não é a força dos minoritários. Considere que uma maior diluição do capital votante é um excelente indicativo de transparência e de que a empresa está disposta a democratizar sua gestão.

O QUE SÃO UNITS

Units são ativos compostos por mais de uma classe de ação, isto é, são uma espécie de “pacote” que ao adquirir o investidor toma posse de ações preferenciais e ordinárias.

Normalmente, as Units são constituídas por mais de uma classe de ações, como, por exemplo: 1 ação ordinária (ON) + 2 ações preferenciais (PN).

São as ações terminadas em 11, tais como: SAN11, ABRE11, etc.

DESMISTIFICANDO AS VANTAGENS DAS PN

Agora que você já sabe as principais diferenças entre as características das ações ordinárias e preferenciais, podemos nos aprofundar sobre as vantagens teóricas das PN.

Primeiramente, abordaremos a preferência sobre a distribuição de resultados, que é uma importante característica de uma ação PN.

Considere que uma empresa distribui aos acionistas $2 por tipo de ação. Se ela tem 5$ em caixa para distribuir, os acionistas PN vão receber primeiro 2$ e depois os ON 2$.

Mas e se ela tiver só 3$ em caixa? Nesse caso, acionistas PN recebem integralmente e os detentores de ações ON só o restante.

Isso é uma vantagem para as ações preferenciais, certo? Não é bem assim. O quanto essa empresa vai distribuir aos sócios quem determina são os controladores.

Você realmente acha que os controladores vão se prejudicar?

Por fim, vamos falar sobre outra característica das PN, que é a preferência no reembolso de capital em caso de falência. Na prática, isto não confere aos investidores uma vantagem tangível. Vamos explicar.

Se a empresa declarou falência ela tem uma lista de obrigações a quitar financeiramente:

  • Alienações fiduciárias
  • Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio
  • Dívidas trabalhistas
  • Fornecedores
  • Credores com garantia real
  • Quirografários (credores sem garantia alguma)
  • Investidores

Nessa lista, há uma ordem de prioridade e os investidores são os últimos a receber. Na prática, é improvável sobrar algo para os investidores, no caso de falência.

Por fim, vale comentar que ela legislação, se a empresa ficar 3 anos sem pagar dividendos, as PN ganham poder de voto.

Quer dizer que nesse caso os acionistas PN tornam-se sócios? Na prática, isso acaba não acontecendo.. É bem simples pra empresa contornar isso.

Por exemplo, basta pagar R$ 0,01 a cada três anos e as PN não podem fazer nada. Por isso, só invista em empresas sólidas e não se apegue a estas supostas vantagens das PN.

POR QUE OS INVESTIDORES DE LONGO PRAZO PREFEREM AÇÕES ON?

As ações ordinárias são as queridinhas pelos investidores de longo prazo, vamos abordar agora um pouco mais detalhadamente os motivos.

Caso a empresa esteja listada no Novo Mercado, que é o maior nível de governança da bolsa de valores brasileiras, ela deverá contar somente com ações ordinárias. Mais um motivo para ter ações ONs.

Os investidores de longo prazo preferem possuir a mesma classe de ações que os controladores (ON). As ações PN estão sujeitas a oscilações bruscas por decisões que favoreçam os possuidores de ações ordinárias.

Vamos falar agora sobre o clássico caso da Ambev.

Logo ambev exemplo ação preferencial

Havia a AMBV3 e AMBV4. Em determinado momento de 2013, tudo virou ABEV3. A relação de troca foi muito mais benéfica para os detentores da ON que da PN.

Essa transição foi duramente criticada pelos possuidores de PN. Na época, Jorge Paulo Lehman, dono da Ambev, ficou irritado com essas reclamações. Afinal, quem tinha comprado PN deveria saber dos riscos.

Então, ele disse a seguinte frase: "É como comprar um Fiat e achar que tem direito a uma Ferrari na garagem"

Então, pergunto a você, pequeno investidor: o que você deseja ter em sua garagem?

CONCLUSÃO

Empresas com uma vantagem competitiva durável tendem a valorizar os sócios minoritários, através de uma elevada quantidade de ações ON disponiveis no mercado.

As ações preferenciais no Brasil são o jeitinho brasileiro personificado no mercado.

O pequeno investidor, por normalmente não exercer o direito de voto, pensa que não há implicação jurídica nenhuma para ele abrir mão disso. Para compensar, apega-se na preferência de distribuição de dividendos.

Na cabeça desse investidor desavisado, é um bom negócio: Está abrindo mão de uma ação que lhe dá direito de algo que não vai utilizar, em troca de algo que, teoricamente, o vai garantir maior remuneração.

O problema é que os possuidores de PN não são poucos. Estes pequenos investidores constituem uma massa enorme de indivíduos em similar vulnerabilidade jurídica.

Historicamente, desproteção jurídica, exposta a um ambiente com muito dinheiro gera um único resultado notável: expropriação.

Você quer ser sócio?

Se você quer ser sócio das melhores empresas e prosperar no longo prazo, considere priorizar as ações ON.

Lembre-se:

  1. ON são as mesmas ações que os donos das empresas possuem
  2. ON dão direito ao tag along para o pequeno investidor.
  3. Têm direito a voto

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