
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) (PCAR3) registrou prejuízo líquido de R$ 220 milhões nas operações continuadas no terceiro trimestre de 2026.
No mesmo período do ano passado, a empresa tinha tido lucro de R$ 142 milhões.
Esse resultado foi impactado por um efeito não recorrente em 2025: um crédito tributário de R$ 418 milhões, que inflou o lucro do ano anterior.
Sem considerar esse impacto, a companhia informa que o prejuízo teria caído 20,3% na comparação anual.
Se somadas as operações descontinuadas, o prejuízo consolidado soma R$ 731 milhões, contra lucro de R$ 134 milhões um ano antes.
Esse valor inclui uma provisão de R$ 467 milhões, ligada à arbitragem com a Casas Bahia.
Do lado positivo, o Ebitda ajustado do GPA subiu 16,9% e atingiu R$ 482 milhões, com a margem subindo para 11,7%.
O avanço se deveu ao foco em negócios mais rentáveis e a mudanças na cobrança do ICMS.
Mesmo diante de um ano difícil para as vendas, a companhia já reduziu R$ 365 milhões em despesas, alcançando 88% da meta prevista para 2026.
A redução aconteceu principalmente por cortes de pessoal e melhorias em contratos, tecnologia e logística.
No entanto, a receita líquida caiu 9,6% para R$ 4,1 bilhões e as vendas em mesmas lojas tiveram queda de 1,4%, pressionadas por problemas de abastecimento e demanda mais fraca.
Segundo o presidente do GPA, Alexandre Santoro, o principal desafio agora é retomar o crescimento das receitas e recuperar participação de mercado.
Em outubro, a empresa teve homologação da recuperação extrajudicial, o que vai ajudar a reduzir o endividamento nos próximos trimestres.
Com a venda da participação na financeira FIC e renegociação de dívidas, o endividamento líquido pode cair 67%, para R$ 1,246 bilhão, e a alavancagem pode recuar de 3,7 para 1,2 vez, mas esse efeito só deve aparecer nos números do quarto trimestre.
Na prática, quem acompanha o PCAR3 viu melhora nas margens, avanço em eficiência e cortes de despesas, mas ainda enfrenta vendas em queda e impacto negativo das operações descontinuadas.
SOBRE GPA (PCAR3)
O Grupo Pão de Açúcar atua no varejo alimentar no Brasil e opera supermercados, hipermercados e lojas de proximidade. A companhia também estrutura iniciativas digitais no setor de alimentos.
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