
A B3 (B3SA3) informou nesta terça-feira (11) um lucro líquido recorrente de R$ 1,4 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 8% sobre o mesmo período de 2025.
O dado ficou praticamente em linha com a média de projeções da LSEG, que apontava para R$ 1,46 bilhão.
A receita da empresa somou R$ 3,1 bilhões, subindo 12,2% em relação ao ano anterior.
Esse trimestre foi marcado pelo aumento dos volumes negociados em ações, além da volta das ofertas públicas, incluindo o primeiro IPO depois de cinco anos, da Compass (PASS3).
As receitas ligadas a derivativos e renda variável cresceram 7,9%. Já as receitas consideradas recorrentes aumentaram 17,3%, segundo a própria B3. Essa combinação reduziu a dependência da empresa em relação às oscilações do mercado.
As despesas totais subiram 15,5% em um ano, alcançando R$ 975,6 milhões. Parte desse aumento veio de custos não recorrentes devido a mudanças na diretoria e ajustes no sistema de cobrança do SNG.
O Ebitda recorrente foi de R$ 1,9 bilhão, com margem de 70%.
O período também registrou mudança importante: Christian Egan foi anunciado como novo CEO da companhia em junho.
Mercado de ações puxa resultado
No 2º trimestre, o volume médio diário movimentado no mercado à vista foi de R$ 31,3 bilhões, alta de 20% sobre um ano antes. O volume diário de ações teve expansão de 21,2%, para R$ 26,9 bilhões.
Os BDRs tiveram crescimento de 41,8% e os fundos listados subiram 73,6%. O volume de opções sobre ações e índices aumentou 54%.
No segmento de derivativos, o volume caiu 8,3%, puxado pela queda de 84,5% nos contratos de futuros de criptoativos, depois de mudanças nas margens e menor atividade neste setor.
Por outro lado, contratos de juros em reais cresceram 6,7% e índices de ações, 20,4%.
Ofertas voltam à bolsa
O trimestre teve R$ 11,6 bilhões captados em ofertas, sendo R$ 3 bilhões em IPO (primeiro registro em cinco anos) e R$ 8,6 bilhões em follow-ons.
As receitas de listagem e soluções para emissores subiram 25,8%, para R$ 43 milhões, influenciadas pelo maior número de ofertas e reajustes nas tarifas.
Renda fixa e Tesouro Direto crescem
Na renda fixa, as emissões de instrumentos de captação bancária aumentaram 5,2%. O estoque médio desses instrumentos cresceu 18,4% e o de debêntures, 14,4%.
No Tesouro Direto, o número médio de investidores subiu 14,7%, para 3,46 milhões. O estoque médio desses investimentos cresceu 43,7%, atingindo R$ 236 bilhões.
A receita do segmento de renda fixa foi de R$ 385,5 milhões (alta de 17,2%), enquanto soluções para mercado de capitais geraram R$ 201 milhões, crescimento de 25,8%.
Despesas sobem e distribuição ao acionista cresce
As despesas ajustadas subiram 6,2%. Gastos com pessoal aumentaram 22% e com tecnologia, 6,8%. Os investimentos no trimestre somaram R$ 55,3 milhões.
A B3 anunciou R$ 1,106 bilhão em juros sobre capital próprio, sendo R$ 750 milhões extraordinários. Somando recompras, as distribuições chegaram a R$ 1,3 bilhão.
A venda da participação de 37,5% na Dimensa também trouxe receita não recorrente de R$ 124 milhões ao resultado do trimestre.
Na prática, o resultado mostra que a B3SA3 teve crescimento consistente dos volumes de ações, apoiada na retomada de IPOs e fortalecida pelas receitas mais diversificadas.
- O retorno das ofertas impulsionou receitas de listagem.
- Despesas subiram, mas dentro das expectativas, após ajustes estruturais.
- A valorização do mercado de renda variável e o aumento do número de investidores ajudaram a sustentar os resultados.
SOBRE B3 (B3SA3)
A B3 atua como bolsa de valores no Brasil e oferece serviços de negociação de ações, derivativos e produtos de renda fixa.
A empresa também fornece soluções para listagem, liquidação e riscos financeiros.
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